folk the police

dezembro 12, 2008
Estudantes reunidos na fachada da mantenedora no momento em que a policia entrou

Estudantes reunidos na fachada da mantenedora no momento em que a polícia entrou

Depois de 14 dias de ocupação pacífica, 25 pessoas entre estudantes e ativistas de movimentos sociais foram desocupados à força por cerca de 80 policiais militares, fortemente nervosos pra mamar, equipados com cacetetes, spray de pimenta, escudos e balas de borracha.

O pessoal ocupava a mantenedora da Unisantos, orgão responsável pela administração financeira da universidade. Foram aplicados aumentos de mensalidades que variavam entre 6 e 15%, todos sem justificativas e sem a abertura de planilha de custos. A ocupação da parte externa da mantenedora (no interior do prédio, o expediente continou funcionando normalmente. Os funcionários não foram impedidos de entrar em momento algum) tinha a intenção de reivindicar os aumentos e solicitar assembleia entre estudantes e reitoria com justificativas e abertura da planilha de custos. Reuniões aconteceram com a presença de membros da reitoria, estudantes e sargentos da polícia (pra que???). O que rolou foi muita enrolação, omissão de dados e nego se fazendo de desentendido.

Após algumas ameaças de desocupação da polícia durante as 2 semanas, um batalhão de policiais cercou a mantenedora ontem de manhã e retirou os ocupantes usando extrema força física. Garotos e garotas foram agredidos pelos policiais. Um cordão da polícia montado desde as 6 da manhã impediu a aproximação da impressa e os únicos registros da desocupação foram feitos pela polícia ou pelos próprios ocupantes.

Sábado tocamos em Santos e tivemos a oportunidade de participar da ocupa. A galera da CES (Centro dos Estudantes de Santos) foi quem organizou a ocupação e alguns dos envolvidos pariciparam da organização do nosso show (que foi na sede da CES). O clima na ocupação era de festa, com violão rolando solto, comida vegana de alta qualidade e muita troca de informação. Ou seja: nada que justificasse a ação violenta da polícia. O mais bizarro é que a ação violenta da polícia, foi encomenda do próprio bispo da igreja e da reitoria. Só mais uma prova da instituição falha, hipócrita e podre que é a Igreja Católica.

Leia mais sobre a desocupação

Sobre todos os dias de ocupa

E veja as fotos da desocupação

Bicicletada!

novembro 26, 2008

Sábado, à partir das 9:30 na Reitoria da UFPR

bicicletada

Dinheiro e Crise

novembro 24, 2008

Trecho extraído do texto “Money and the Crisis of Civilization” de Charles Einstein.

Existe uma crise bem mais profunda em andamento, uma crise na criação de bens e serviços que justificam a existência do dinheiro para começo de conversa. Essa é a crise que gerou bolha imobiliária que leva toda a culpa pela atual situação. Para entendê-la, vamos esclarecer o que constitui um “bem” ou um “serviço.” Em economia, estes termos referem-se a algo que possa ser trocado por dinheiro. Se eu cuidar dos seus filhos de graça, os economistas não consideram isso um serviço. Não pode ser usado para pagar um débito financeiro: Eu não posso ir ao supermercado e dizer, “Eu cuidei do filho vizinho essa manhã, por favor me dê comida.” Mas se eu abrir uma creche e cobrar por isso, aí eu criei um “serviço.” PIB aumenta e de acorco com economistas, a sociedade se torna mais rica.

O mesmo é verdade se eu derrubar uma floresta e vender a madeira. Enquanto ainda está de pé e inacessível, não é um bem. Se torna um “bem” quando eu construo um estrada para escoar a madeira, contrato empregados, derrubo e transporto a um comprador. Eu converto uma floresta em madeira, uma mercadoriae o PIB sobe. Da mesma forma, se eu criar uma música nova e compartilhá-la de graça, o PIB não sobe e a sociedade não é considerada mais rica, mas se eu registro e vendo, ela se torna um bem. Ou eu posso encontrar uma sociedade antiga que usa ervas e curandeiras para curar, destruo a cultura deles e faço com que se tornem dependentes da medicina farmacêutica que eles passam a comprar, expulso-os do próprio território para que não possam praticar agricultura de subsistência e tenham que comprar comida, limpo toda a área e contrato-os  como bóia-fria – e assim eu tornei o mundo mais rico. Eu trouxe várias atividades, relacões e recursos naturais ao jugo do dinheiro. Em “Ascenção da Humanidade”, eu descrevo esse processo em profundidade: a conversão do capital social, capital natural, capital cultural e capital espiritual em dinheiro.

Essentialmente, fpara que a economia continue crescendo e o sistema monetário (baseado em juros) permaneça viável, mais e mais da natureza e das relações humanas devem ser monetizadas. Por exemplo, trinta anos atrás a maioria das refeições eram preparadas em casa; hoje em torno de dois terços são preparadas fora, em restaurantes ou prontas em supermercados. Uma atividade que antes era não-paga, cozinhar, se tornou um “serviço”. E por isso ficamos mais ricos. Certo?

Outra grande engrenagem do cresicmento econômico nas últimas três decadas, creches, também nos tornaram mais ricos. Agora estamos aliviados do peso de cuidar dos nossos próprios filhos. Pagamos experts para isso, quem poderia ser mais eficiente.

Nos tempos antigos, a diversão também era uma atividade gratuita e participativa. Todo mundo tocava um instrumento, cantava e participava de peças. Há apenas 75 anos atrás nos EUA, cada vilarejo tinha sua bandinha e time de baseball . Agora pagamos por esses serviços. A economia cresceu. Oba.
A crise que enfrentamos hoje surge do fato que praticamente não existe mais capital social, cultural, natural e espiritual para converter dinheiro. Séculos criando dinheiro nos deixou completamente destituídos que não temos mais nada para vender. Nossas florestas estão irremediavelmente prejudicadas, nosso solo exaurido, nossos mares sem peixes, a capacidade de rejuvenescimento da terra para reciclar nosso lixo está saturada. Nosso tesouro cultural de músicas e estórias, imagens e ícones, foi saqueada e registrada. Qualquer frase inteligente que você possa pensar já virou propaganda. Até mesmo nossas relações e habilidades foram tiradas de nós e vendidas de volta, de tal forma que dependemos de estranhos e consequentemente de dinheiro, para coisas que pouquíssimos humanos pagaram até bem recentemente: comida, abrigo, roupas, diversão, cuidar dos filhos, cozinhar. A própria vida se tornou um item de consumo. Hoje estamos vendendo os últimos vestígios de nosso legado divino: nossa saúde, a biosfera e o genoma, até mesmo nossas mentes. Esse é o processo que culmina em nossa era. Está quase completo, especialmente nos EUA e no resto do primeiro mundo. Nos países em desenvolvimento ainda há pessoas que vivem em culturas afortunadas, onde as riquezas naturais e sociais ainda não são sujeitas a propriedade.

Leia o texto na íntegra (em inglês): http://www.realitysandwich.com/money_and_crisis_civilization

e… foi!

novembro 19, 2008

Chuveu a semana toda. Quinta-feira nublada e sexta agradável. O sábado amanheceu ainda melhor. A gente ainda brincou: “O dia tá perfeito pra revolução”. Só brincadeira. Logo cedo começou o vai e vem frenético pra buscar toda a aparelhagem de som. Tudo emprestado de amigos, alguns nem tão próximos. Problemas com a energia elétrica no pátio, mas que foram resolvidos com a ajuda e boa vontade dos guardas responsáveis pela segurança. Vantagens de um evento acolhido pela estrutura da universidade. Depois de um córre brutal (com nota zero em logística), o som estava pronto. Contei 60 pessoas espalhadas pelo pátio em pequenos grupos. Era pouca gente perto do que estava por vir. Ou pelo menos pareceu pouco depois que todos foram se juntando pra ouvir o Black Sea, que abriu a parte musical da tarde. O pic nic começou tímido. Cada um dividia a comida com seus amigos mais próximos, mas a gente incentivou que todo mundo concentrasse a comida num lugar só. Acho que a falta de uma mesa, ou pelo menos uma toalha grande, pra abrigar tudo atrapalhou. Fiz questão de experimentar um pouco de cada prato. Tinha muita fruta e chá matte. Mas também aparececeram alguns bolos e até um sorvete vegano de manga. Algumas pessoas preferiram levar alimentos não-veganos e comer sozinhos. Junto com a primeira música, a idéia do pic nic começou de verdade. Foi legal assistir várias pessoas chegando mais perto, trazendo a comida e juntando tudo.

A feira de troca também surpreendeu. Começou tímida, como todos estavam no começo da tarde. Depois aumentou um pouco e teve um número de participantes considerável. Pequeno, perto dos participantes num total. Na verdade funcionou mais como um baú de coisas usadas. Você deixava uma coisa e pegava outra. Tinha vários livros e cd´s, o que foi legal. Tinha também roupas e calçados usados, pequenos jogos de passa-tempo, peças de bicicleta e até um teclado de computador em perfeito estado. As trocas foram improvisadas com uma faixa de papel estendida no chão onde lia-se “troca” e uma caixa de plástico com várias coisas dentro.

No final do primeiro show, a conversa foi proposta. As pessoas relutaram um pouco pra chegar perto. Muitos preferiam ficar observando de onde estavam, mas logo bastante gente se aproximou do “palco” e sentou no chão. O debate, como todo o evento, foi algo não planejado detalhadamente, sem pauta e sem propostas concretas de conversa. Apostamos na espontaneidade, que não ajudou muito hehehehe. Isso prejudicou um pouco, porque a falta de foco esgotou rapidamente os argumentos. Mesmo assim, várias pessoas participaram. O fato de realizar o evento num lugar “fechado”, quando a proposta era uma retomada, foi posto em pauta e as opiniões expostas legais. De uma forma geral, o tema primário, que era discutir a utilização do espaço urbano, foi discutido e a troca de idéias foi extremamente válida.

Pra fechar, o Viva la Radio encheu os ouvidos da rapazeada. Poucas palavras mas música realmente muito boa. As pessoas foram se dispersando aos poucos. Inclusive todos que estavam de carro e poderiam ajudar a carregar o equipo de som. No final, estávamos com uma pilha de caixas de som e tambores de bateria e não fazíamos idéia de como devolver tudo. O problema foi resolvido pelo André do Black Sea, que em poucos minutos bateu um córre e juntou grana suficiente pra pagar um táxi que levou tudo embora. Isso nos fez pensar que pra idéia da banda valer a pena, temos que nos programar melhor. O passeio de bicicleta infelizmente não aconteceu. Muita gente foi pedalando, mas acredito que a demora no início, intervalo e fechamento das atividades fez as pessoas cansarem. Mesmo assim, foi muito gratificante ver a idéia do recidade sendo praticada em pequenos atos. Isolados e individuais, porém práticos.

Um próximo encontro já está sendo planejado. Críticas, opiniões e ajuda é extramente bem-vinda. E a maior vontade é de manter as coisas acontecendo.

retomando a cidade!

novembro 1, 2008

Desligue o computador. Desligue a televisão. Saia de casa para
retomar o que é seu. Venha praticar formas de reutilizar o espaço
urbano (e tornar o convívio com a cidade mais próximo e criativo.)

Sábado, 15 de Novembro
Local: Pátio da Reitoria da UFPR
Horário: A partir das 15h
Entrada: 0R$

Atividades Propostas:

Feira da Troca Livre

– Traga objetos que não usa mais para trocar. Roupas, cd’s,
utensílios de casa, objetos de decoração, livros, produtos artesanais
e caseiros, ou o que você quiser.

A feira funcioná durante toda a tarde. Os objetos para troca ficarão expostos num espaço específico, ou como for conveniente a todos. Não existe mediador e a troca é feita pelos próprios interessados. Troque qualquer coisa desde que não envolva o uso de dinheiro. Vamos deixar a moeda de fora desta vez!

PICNIC Coletivo Vegano.

Traga seu prato para dividir com todos. Vale qualquer coisa, desde de junk food até alimentos integrais e vivos, contanto que sejam alimentos totalmente vegetarianos (veganos – sem qualquer produto de origem animal em sua composição: carne, leite, ovos, gelatina, etc).

Bandas

tocando no pátio, sem palco, sem paredes e talvez até sem público.

Viva la Radio –http://www.myspace.com/bandavivalaradio

Black Sea – http://www.myspace.com/blackseaband

Proposta de Debate, conversa, discussão, bate-papo ou de jogar conversa fora mesmo.

“A reutilização do espaço urbano. Levando a vida e o convívio social e alternativo pra fora das 4 paredes.” Proponente: Todos nós.

(re)cidade não tem organizadores, nem estrutura fixos. É algo feito de pessoas e para pessoas. Não envolve dinheiro e nem qualquer tipo de custos. Se você simpatiza com a idéia, ajude aparecendo no dia e divulgando para toda e qualquer pessoa.