Trecho extraído do texto “Money and the Crisis of Civilization” de Charles Einstein.
Existe uma crise bem mais profunda em andamento, uma crise na criação de bens e serviços que justificam a existência do dinheiro para começo de conversa. Essa é a crise que gerou bolha imobiliária que leva toda a culpa pela atual situação. Para entendê-la, vamos esclarecer o que constitui um “bem” ou um “serviço.” Em economia, estes termos referem-se a algo que possa ser trocado por dinheiro. Se eu cuidar dos seus filhos de graça, os economistas não consideram isso um serviço. Não pode ser usado para pagar um débito financeiro: Eu não posso ir ao supermercado e dizer, “Eu cuidei do filho vizinho essa manhã, por favor me dê comida.” Mas se eu abrir uma creche e cobrar por isso, aí eu criei um “serviço.” PIB aumenta e de acorco com economistas, a sociedade se torna mais rica.
O mesmo é verdade se eu derrubar uma floresta e vender a madeira. Enquanto ainda está de pé e inacessível, não é um bem. Se torna um “bem” quando eu construo um estrada para escoar a madeira, contrato empregados, derrubo e transporto a um comprador. Eu converto uma floresta em madeira, uma mercadoriae o PIB sobe. Da mesma forma, se eu criar uma música nova e compartilhá-la de graça, o PIB não sobe e a sociedade não é considerada mais rica, mas se eu registro e vendo, ela se torna um bem. Ou eu posso encontrar uma sociedade antiga que usa ervas e curandeiras para curar, destruo a cultura deles e faço com que se tornem dependentes da medicina farmacêutica que eles passam a comprar, expulso-os do próprio território para que não possam praticar agricultura de subsistência e tenham que comprar comida, limpo toda a área e contrato-os como bóia-fria – e assim eu tornei o mundo mais rico. Eu trouxe várias atividades, relacões e recursos naturais ao jugo do dinheiro. Em “Ascenção da Humanidade”, eu descrevo esse processo em profundidade: a conversão do capital social, capital natural, capital cultural e capital espiritual em dinheiro.
Essentialmente, fpara que a economia continue crescendo e o sistema monetário (baseado em juros) permaneça viável, mais e mais da natureza e das relações humanas devem ser monetizadas. Por exemplo, trinta anos atrás a maioria das refeições eram preparadas em casa; hoje em torno de dois terços são preparadas fora, em restaurantes ou prontas em supermercados. Uma atividade que antes era não-paga, cozinhar, se tornou um “serviço”. E por isso ficamos mais ricos. Certo?
Outra grande engrenagem do cresicmento econômico nas últimas três decadas, creches, também nos tornaram mais ricos. Agora estamos aliviados do peso de cuidar dos nossos próprios filhos. Pagamos experts para isso, quem poderia ser mais eficiente.
Nos tempos antigos, a diversão também era uma atividade gratuita e participativa. Todo mundo tocava um instrumento, cantava e participava de peças. Há apenas 75 anos atrás nos EUA, cada vilarejo tinha sua bandinha e time de baseball . Agora pagamos por esses serviços. A economia cresceu. Oba.
A crise que enfrentamos hoje surge do fato que praticamente não existe mais capital social, cultural, natural e espiritual para converter dinheiro. Séculos criando dinheiro nos deixou completamente destituídos que não temos mais nada para vender. Nossas florestas estão irremediavelmente prejudicadas, nosso solo exaurido, nossos mares sem peixes, a capacidade de rejuvenescimento da terra para reciclar nosso lixo está saturada. Nosso tesouro cultural de músicas e estórias, imagens e ícones, foi saqueada e registrada. Qualquer frase inteligente que você possa pensar já virou propaganda. Até mesmo nossas relações e habilidades foram tiradas de nós e vendidas de volta, de tal forma que dependemos de estranhos e consequentemente de dinheiro, para coisas que pouquíssimos humanos pagaram até bem recentemente: comida, abrigo, roupas, diversão, cuidar dos filhos, cozinhar. A própria vida se tornou um item de consumo. Hoje estamos vendendo os últimos vestígios de nosso legado divino: nossa saúde, a biosfera e o genoma, até mesmo nossas mentes. Esse é o processo que culmina em nossa era. Está quase completo, especialmente nos EUA e no resto do primeiro mundo. Nos países em desenvolvimento ainda há pessoas que vivem em culturas afortunadas, onde as riquezas naturais e sociais ainda não são sujeitas a propriedade.
Leia o texto na íntegra (em inglês): http://www.realitysandwich.com/money_and_crisis_civilization
agosto 23, 2010 às 2:48 am
helpful post.