Chuveu a semana toda. Quinta-feira nublada e sexta agradável. O sábado amanheceu ainda melhor. A gente ainda brincou: “O dia tá perfeito pra revolução”. Só brincadeira. Logo cedo começou o vai e vem frenético pra buscar toda a aparelhagem de som. Tudo emprestado de amigos, alguns nem tão próximos. Problemas com a energia elétrica no pátio, mas que foram resolvidos com a ajuda e boa vontade dos guardas responsáveis pela segurança. Vantagens de um evento acolhido pela estrutura da universidade. Depois de um córre brutal (com nota zero em logística), o som estava pronto. Contei 60 pessoas espalhadas pelo pátio em pequenos grupos. Era pouca gente perto do que estava por vir. Ou pelo menos pareceu pouco depois que todos foram se juntando pra ouvir o Black Sea, que abriu a parte musical da tarde. O pic nic começou tímido. Cada um dividia a comida com seus amigos mais próximos, mas a gente incentivou que todo mundo concentrasse a comida num lugar só. Acho que a falta de uma mesa, ou pelo menos uma toalha grande, pra abrigar tudo atrapalhou. Fiz questão de experimentar um pouco de cada prato. Tinha muita fruta e chá matte. Mas também aparececeram alguns bolos e até um sorvete vegano de manga. Algumas pessoas preferiram levar alimentos não-veganos e comer sozinhos. Junto com a primeira música, a idéia do pic nic começou de verdade. Foi legal assistir várias pessoas chegando mais perto, trazendo a comida e juntando tudo.
A feira de troca também surpreendeu. Começou tímida, como todos estavam no começo da tarde. Depois aumentou um pouco e teve um número de participantes considerável. Pequeno, perto dos participantes num total. Na verdade funcionou mais como um baú de coisas usadas. Você deixava uma coisa e pegava outra. Tinha vários livros e cd´s, o que foi legal. Tinha também roupas e calçados usados, pequenos jogos de passa-tempo, peças de bicicleta e até um teclado de computador em perfeito estado. As trocas foram improvisadas com uma faixa de papel estendida no chão onde lia-se “troca” e uma caixa de plástico com várias coisas dentro.
No final do primeiro show, a conversa foi proposta. As pessoas relutaram um pouco pra chegar perto. Muitos preferiam ficar observando de onde estavam, mas logo bastante gente se aproximou do “palco” e sentou no chão. O debate, como todo o evento, foi algo não planejado detalhadamente, sem pauta e sem propostas concretas de conversa. Apostamos na espontaneidade, que não ajudou muito hehehehe. Isso prejudicou um pouco, porque a falta de foco esgotou rapidamente os argumentos. Mesmo assim, várias pessoas participaram. O fato de realizar o evento num lugar “fechado”, quando a proposta era uma retomada, foi posto em pauta e as opiniões expostas legais. De uma forma geral, o tema primário, que era discutir a utilização do espaço urbano, foi discutido e a troca de idéias foi extremamente válida.
Pra fechar, o Viva la Radio encheu os ouvidos da rapazeada. Poucas palavras mas música realmente muito boa. As pessoas foram se dispersando aos poucos. Inclusive todos que estavam de carro e poderiam ajudar a carregar o equipo de som. No final, estávamos com uma pilha de caixas de som e tambores de bateria e não fazíamos idéia de como devolver tudo. O problema foi resolvido pelo André do Black Sea, que em poucos minutos bateu um córre e juntou grana suficiente pra pagar um táxi que levou tudo embora. Isso nos fez pensar que pra idéia da banda valer a pena, temos que nos programar melhor. O passeio de bicicleta infelizmente não aconteceu. Muita gente foi pedalando, mas acredito que a demora no início, intervalo e fechamento das atividades fez as pessoas cansarem. Mesmo assim, foi muito gratificante ver a idéia do recidade sendo praticada em pequenos atos. Isolados e individuais, porém práticos.
Um próximo encontro já está sendo planejado. Críticas, opiniões e ajuda é extramente bem-vinda. E a maior vontade é de manter as coisas acontecendo.
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novembro 20, 2008 às 10:59 am
Parabéns pessoal !
Acho que a naturalidade é um ponto positivo, talvez tenha faltado mesmo algumas indicações pra todos mas foi tudo muito bom.
Espero o próximo (num parque ou praça abandonado, precisando ser retomado)